Hanói e Chanthaburi
Meus últimos dois dias no Vietnã foram em Hanói. Tive um dia para passear e o segundo para chegar ao aeroporto com bastante tempo e tranquilidade. Reservei um albergue no bairro antigo, como minha anfitriã havia sugerido. Foi uma ótima recomendação, com muitos lugares interessantes a uma curta distância a pé. Acordei cedo, tomei café da manhã no albergue e tracei um roteiro com alguns lugares próximos que queria visitar. Minha primeira parada foi o Templo Ngoc Son, que fica em uma pequena ilha em um lago, conectada por uma ponte de madeira vermelha. Caminhei por lá para apreciar o templo e sua arquitetura, além de desfrutar da vista da cidade a partir da ilha. A próxima parada foi uma caminhada até a prisão de Hoa Lo. Hesitei um pouco antes de adicioná-la ao meu roteiro, mas decidi que tinha muita história e que valia a pena visitar. Foi uma experiência intensa, mostrando o que os locais passaram durante a colonização e durante a guerra com os Estados Unidos. Caminhei por lá e li muitos dos cartazes e placas informativas. Também pude testemunhar a resiliência do povo vietnamita. À noite, tomei chá de gengibre e jantei em uma rua popular onde o trem passa com espaço mínimo. Em alguns casos, os comerciantes pediam aos clientes para entrarem e recolherem as cadeiras e mesas. Embora curta, minha passagem por Hanói foi marcante.
Cheguei a Bangkok, mas na primeira noite senti que estava pegando outro resfriado. Passei o primeiro dia na cama e prolonguei minha estadia. Essa pequena pausa foi necessária e, no terceiro dia, já estava melhor e pronto para pegar o ônibus para Chanthaburi para visitar meu amigo. Não nos víamos desde 2017. Ele também estava hospedando outro amigo, então nós três passamos a maior parte dos dias juntos. Foi realmente maravilhoso nos reencontrarmos. Enquanto estávamos juntos, parecia que tínhamos trabalhado juntos há apenas algumas semanas, em vez de anos. Desde o momento em que ele me buscou na rodoviária até o momento em que me deixou, ele se dedicou a compartilhar todas as suas coisas favoritas na região, e fez isso de forma atenciosa, contando a história de cada lugar, como o descobriu e por que era importante. Ele também tinha um ritmo muito parecido com o meu, com tempo para relaxar entre as atividades. Como quando jogamos o jogo cooperativo das Tartarugas Ninja. Foi muito divertido e me lembrou de quando eu e meu irmão costumávamos jogar há tantos anos. Ou de quando ficamos acordado até tarde para assistir a um jogo de futebol americano que começava à 1h da manhã. Ele faz questão de assistir aos jogos, mesmo que a maioria comece tão tarde, pois é uma maneira de se manter conectado com sua família nos Estados Unidos. Fazia tempo que eu não assistia a um jogo, e compartilhar aquele momento e a camaradagem de torcer por um time foi muito memorável.
Com o passar dos dias, comecei a perceber conexões e paralelos com minhas visitas ao meu pai quando ele morava em Manaus, no meio da Amazônia. Desde pequenas coisas, como descobrir que existe uma rede de cafeterias chamada Amazon Cafe, até a vegetação tropical. Para nosso primeiro passeio, nós três fomos de moto; aluguei uma para que pudéssemos ir todos juntos. Paramos primeiro em uma loja que servia chocolate quente feito com cacau cultivado na própria propriedade. A primeira vez que vi um cacaueiro e experimentei o fruto foi em Manaus. Depois, seguimos para um porto no rio, onde pegamos um barco para uma fazenda flutuante de caranguejos de casca mole e restaurante. Isso me lembrou de momentos semelhantes na Amazônia. A comida é igualmente deliciosa, mas bem diferente da brasileira. Mais tarde, começamos a falar sobre seringueiras e me lembrei de como meu pai contava com a história de como exploradores britânicos levaram um grande número de sementes da Amazônia que prosperaram na Tailândia. Esse foi um dos principais fatores para o fim do ciclo da borracha em Manaus e arredores. Quando ouvi essa história na infância, a Tailândia parecia tão distante, e agora eu estava lá. Isso me trouxe uma sensação de conexão e proximidade, mesmo estando tão longe.
A praia foi nosso destino no dia seguinte e, novamente, fomos de moto. Paramos em dois templos no caminho. Um tinha uma vista incrível do alto de uma colina, e o segundo era todo branco e azul, com murais muito detalhados pintados no interior. Almoçamos peixe na praia e depois fomos a um café onde dividimos um Bingsu. Caminhamos um pouco na praia e vimos o pôr do sol, conversando sobre o que tínhamos feito e as possibilidades para o futuro. Andar de moto foi divertido, me lembrando de quando eu costumava andar de moto na Califórnia. Também me trouxe um pouco de medo, algo que sempre senti ao pilotar, pela fragilidade que temos e como pouco é necessário para que as coisas deem errado. O sol se pôs e começamos a voltar para casa. Ao nos aproximarmos de uma curva fechada, notei uma mancha mais escura na estrada, quase como se estivesse molhada, mas não exatamente. Achei que conseguiria passar sem problemas, mas, ao fazê-lo, perdi o controle e caí com a moto. Ainda não consigo dizer exatamente o que aconteceu, mas aconteceu. Consegui me levantar rapidamente e tive apenas alguns arranhões leves no pé e na perna. Sempre que você sai ileso de um acidente de moto, é um ótimo dia. Eles pararam, voltaram em minha direção e verificaram se eu estava bem o mais rápido possível. Senti grato por eles estarem lá. Depois de se ver de que tudo estava bem, voltamos para casa.
Para descansar da minha queda e de tudo o que tínhamos feito nos dias anteriores, desaceleramos um pouco. Desfrutamos de muita comida juntos. Algumas das minhas favoritas foram as mini tortas de uma das suas confeitarias preferidas, miang kam, sopas de carne e vários cafés. Assim como eu, quando mostro minha cidade natal para outras pessoas, nós dois estávamos ansiosos para ver as reações e os comentários sobre as comidas que estávamos compartilhando. Foi bom estar do outro lado desta vez, experimentando essas novidades e compartilhando meus pensamentos e reações com ele. Seguindo o clima relaxante, nós três fizemos uma massagem tailandesa juntos. Estávamos os três lado a lado em esteiras e, durante a massagem, ele conversou em tailandês com a massagista. Ele estava realmente à vontade e foi um exemplo claro do que ele havia me contado antes, sobre como se sente pertencente àquele lugar. Na minha última manhã, ele me levou até a rodoviária na sua moto. No caminho, ele parou para comprar um pãozinho recheado com creme de chá tailandês, que eu comi mais tarde no ônibus. Ficamos mais alguns minutos em um café enquanto esperávamos o ônibus. Nos despedimos, felizes e gratos por termos tido a oportunidade de passar esses dias juntos, mas tristes por já ter acabado. Espero que não demore tantos anos para nos vermos novamente.












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